DENÚNCIA PARA LUTARMOS JUNTOSDiscurso de PromociónGrupo Cultural Yuyachkani
- capivara crítica
- 28 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
Discurso de Promoción é uma obra de denúncia que nos mostra que, mais do que nunca, estamos todos enfrentando a mesma herança colonial que nos mata, nos estupra e nos rouba. É claro que cada país, com seu grau de colonialismo e desespero, luta contra sua própria barbaridade, porém todos nós, latino-americanos, estamos fundados em um colonialismo que nos impede de ser.
Com uma encenação que se divide em dois: uma festa de escola em celebração da independência do Peru, que coloca a plateia para dançar, cantar e celebrar o Peru. Para que só então, em um segundo momento, vejamos e sintamos a dor que a celebração realmente esconde sobre a situação do país.
Nessa segunda parte, uma encenação caótica nos leva para uma instalação viva, pautada em um quadro de independência do país e como aquele quadro não representa como o Peru realmente é, e como sua formação se deu.
Em diversos momentos somos arrebatados com imagens e formações visuais de dor.
A cena de manequins mortos sem nome embalados em papel-filme e um homem que está preso no meio e tenta soltar-se; A cena de denúncia da política eugenista de esterilização forçada de mulheres como argumento de diminuição da pobreza; A cena da Operação Condor e a política de morte instaurada pelos Estados Unidos; O conformismo da música que diz “es mi vida es mi vida que puedo hacer si ella me eligió”; Tudo é denúncia, denúncia visceral, que não usa de eufemismos para mascarar a violência do país.
No final, uma passeata dolorida em que os atores praticamente cantam uma marcha funebre para o Peru, andando em volta de um quadro 3D com tudo que eles usaram, durante todo o espetáculo, para nos mostrar sua dor, coloca a plateia em um estado de reconhecimento.
E o discurso final do diretor que ressalta a importância de estarmos juntos discutindo isso: tudo nos joga na cara a necessidade de uma luta comum, de uma integração latino-americana para quebrar com um sistema corrupto, porque como aponta um cartaz durante a peça: “El sistema no puede combatir la corrupción, porque la corrupción es el sistema!”
Portanto, cabe a nós!

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